Conseguir matéria-prima a preço competitivo será o principal desafio para que a empresa continue crescendo rumo ao grupo das cinco maiores petroquímicas do mundo
Dias atrás, quando a Braskem anunciou oficialmente a compra da Quattor, um dos assuntos de maior destaque na coletiva de imprensa foi a internacionalização da empresa. Com a aquisição, a companhia saltou da 11ª para a 8ª posição entre as maiores petroquímicas do mundo.
Bernardo Gradin, presidente da Braskem, disse que, de agora em diante, buscaria matéria-prima a preços competitivos na Venezuela, no Peru e no México. Além disso, o executivo confirmou que a empresa estuda uma maneira de entrar de vez no mercado norte-americano. Ou seja, os olhos da Braskem parecem estar bem abertos para o mercado internacional.
João Luiz Zuñeda, diretor da MaxiQuim Assessoria de Mercado, diz que a próxima década será crucial para a Braskem - que, segundo ele, poderá estar entre as cinco maiores do mundo no setor. "Até 2020, a Braskem precisará buscar custos competitivos e se fazer presente em grandes mercados, como o norte-americano", explica. Se a estratégia fora do Brasil já está bastante clara, Zuñeda acrescenta que, até 2020, a exploração da camada pré-sal estará mais desenvolvida. Além disso, as novas refinarias da Petrobras já estarão em operação, como o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). "No Brasil, é esse movimento que irá mostrar se teremos matéria-prima competitiva ou não", observa.
Com a Quattor, a capacidade de produção de eteno (principal produto da cadeia petroquímica) da Braskem saltou para 3,7 milhões de toneladas ao ano. Hoje, a quinta colocada no ranking mundial é a LyondellBasell, com 5,4 milhões. É consenso no mercado petroquímico que, num futuro não muito distante, restarão poucas empresas competindo. Por isso, o ganho de escala será fundamental. "Para competir no ‘top 5, será preciso estratégia e musculatura", ressalta Zuñeda. Vale lembrar que o negócio fechado dias atrás selou o aumento da participação da Petrobras no capital da Braskem - cuja acionista majoritária ainda é a Odebrecht. A maior presença da estatal na Braskem acaba reforçando uma tendência global: das cinco maiores petroquímicas do mundo, três têm no seu core business companhias produtoras de petróleo - como é o caso da Petrobras. "Mesmo que o mercado de matéria-prima ainda precise se desenvolver muito, a nova Braskem já tem grandes fortalezas, e uma delas é a Petrobras. Pouco se falou, mas recentemente a estatal ultrapassou a Shell em valor de mercado", observa Zuñeda.
Agora que a Braskem encorpou sua produção, agregando a Quattor, a empresa planeja a melhor maneira de fincar bandeira nos Estados Unidos - maior mercado das Américas, a Braskem analisa. Para Zuñeda, a Gerdau pode servir de exemplo quando o assunto é Estados Unidos. "Eles compraram siderúrgicas locais. Uma coisa é ter trading, outra é ter funcionários, conhecer a logística do país, etc", aponta o especialista. Possível alvo de uma investida da Braskem é a Sunoco Chemicals. "Mas também se fala na LyondellBasel, na Ineos e na compra de parte da Dow Chemical", alerta o especialista.
Na manhã desta segunda-feira, a Braskem comunicou ao mercado a compra da Sunoco por US$ 350 milhões. A empresa adquirida tem capacidade de produção anual de 950 mil toneladas de polipropileno e reforça a estratégia da Braskem de investir no mercado norte-americano. Por: Ricardo Lacerda / Redação de AMANHÃ