No início, dizem as escrituras, Deus fez o homem e, de sua costela, criou o segundo ser: a mulher. Mas, mesmo vindo depois, todos os demais humanos da face da Terra foram gerados por elas, que também estão tomando o mundo de assalto. No Ocidente e, em especial, no Brasil, a consolidação do papel feminino é fato inequívoco a olhos vistos. Nas ruas, nas fábricas, nas redações, nos escritórios, no serviço público, em todos os lugares, apesar de mais de 81 milhões de habitantes do sexo feminino ainda estarem desempregadas no planeta. A terapeuta Lídia Aratangy, em “O anel que tu me deste”, avalia: “a queda do patriarcado, nas últimas décadas do século XX, foi um corolário da ascensão social das mulheres”. A reflexão vem a calhar em mais uma comemoração do Dia Internacional da Mulher neste 8 de março.
Sem sombra de dúvidas, como também escreve Aratangy, “o fenômeno ainda está em andamento, mas o poder masculino, antes absoluto, está em retração e, no mundo como um todo, as mudanças tendem a caminhar na mesma direção, embora não no mesmo ritmo”.
Não obstante seguirem ainda discriminadas com menores salários, em média, que os homens nas mesmas tarefas, preteridas nas avaliações funcionais de carreira em muitas organizações, sobrecarregadas pelo desempenho exigente do múltiplo papel de trabalhadora-esposa-mãe, as mulheres se superam, avançam, consolidam seu papel de cidadãs, assumem e circundam o poder.
Representantes do sexo feminino estão à frente de governos na Irlanda, Letônia, Finlândia, Filipinas, Chile, Alemanha, entre outros. Na Esplanada dos Ministérios, comandam com presença marcante áreas insípidas como a Casa Civil, com Dilma Roussef, fundamentais, como a do meio-ambiente, com Marina Silva, árduas, como a do Turismo, com Marta Suplicy. Nos governos estaduais, a marca feminina está presente no RS, RN e PA, com Yeda Crusius, Wilma de Faria e Ana Júlia Carepa, respectivamente. No Congresso Nacional, há 45 deputadas federais e 11 senadoras. Ainda é pouco, pelo poderio do voto feminino, mas já é um avanço.
As mulheres são maioria na educação, na comunicação social, nos clientes da telefonia móvel, no eleitorado apto a votar em 2008. Há mais mulheres entre os internautas domiciliares, os contribuintes cadastrados na Previdência Social, os empreendedores informais, os brasileiros da terceira idade (mais de 60 anos). Há, enfim mais mulheres do que homens em nosso território. Nos 184 milhões de habitantes, há 99,6 homens para cada 100 mulheres. Haja força e presença. Vivam muito estas avós, mães, filhas e esposas. Mulheres fortes e poderosas, a serem celebradas em 8 de março e em todos os demais dias do ano.
E como diria o poeta J. Oliveira: “Mulher não nasce. Estréia! Estréia na vida, no trabalho, estréia na escola, que seja da vida, mas estréia (...)”. E nós, homens, aplaudimos com vigor as estudantes, consumidoras, eleitoras, seguradas, trabalhadoras, contribuintes, cidadãs, enfim... Do lar, do Brasil e do mundo.
.....................
(*) jornalista, servidor público, diretor na Associação Riograndense de Imprensa e conselheiro da Associação Gaúcha dos Fiscais da Previdência (Agafisp); e-mail: vilsonromero@yahoo.com.br