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Clinton ou Obama? A indicação do candidato democrata à sucessão do presidente Bush ainda está longe de uma definição. Mas há alguns indicadores de que o barco da campanha de Clinton começa a fazer água. Isso pode ser facilmente notado até na postura dos candidatos em seus discursos. Contra o visível nervosismo de Hillary, a tranquilidade e a confiança de Barack Obama.
Na quinta-feira, o veterano deputado pela Georgia, John Lewis, negro e um ícone na luta pelos direitos civis - que apoiava a ex-primeira dama -, anunciou publicamente que estava revendo sua posição depois de conversas privadas com membros do CBC (uma entidade que reune congressistas negros de várias tendências).
A verdade é que os congressistas democratas negros - e não são poucos - estão sofrendo enorme pressão de suas bases eleitorais. Eles enfrentam uma questão que, mais dia menos dia, os obrigaria a tomar uma decisão. E essa decisão significa desembarcar da candidatura de Hillary Clinton e apoiar Barack Obama na indicação democrata à presidência da república. Muitos desses congressistas apoiaram Hillary na primeira hora, quando a candidatura de Obama praticamente não existia e nem se sabia se iria decolar.
Essa inquietação entre os congressistas negros está aflorando e provocando declarações como esta, de outro veterano e respeitado congressista negro, James E. Clyburn (Democrata de South Carolina) . Ele se declara neutro, mas seu depoimento não deixa dúvida sobre o lado que ele vai escolher:
Esse é um problema emocional para todos nós, negros. Em 1961, no auge da luta pelos direitos civis, eu estava preso numa prisão em Columbia e sonhei com este momento. Sonhei que os Estados Unidos tinham um presidente negro.
Mas mesmo entre os congressistas democratas negros, há quem veja nessa debandada em favor de Obama um certo oportunismo politico. É o caso de Artur Davis, do Alabama, ele é da ala jovem do partido e sempre apoiou Obama. Para ele, “os que estão abandonando a candidatura Hillary não estão fazendo isso apenas porque não querem ficar do lado errado da história, mas também estão pensando em seu futuro politico”.
Analistas acreditam que essa inquietação entre os políticos negros faz parte de um processo de mudança de gerações. Para as lideranças mais velhas, como Lewis, o projeto de um presidente afro-americano era algo inimaginável, eles atingiram o máximo em suas pretensões políticas, ao serem eleitos deputados ou senadores. As lideranças jovens, entretanto, já conseguem enxergar um novo cenário a partir do sucesso incontestável de Obama.
Vale esclarecer que todos os congressistas democratas estão entre os 796 superdelegados que levam para a convenção nacional o mesmo peso dos delegados escolhidos através do processo de votação nas primárias. Mas ao contrário daqueles delegados eleitos, os superdelegados são livres para decidir em quem votar. Daí a importância dessa tomada de posição dos congressistas negros.
Certamente, esse longo processo de primárias nos estados aumenta a rivalidade e até a agressividade entre os candidatos. Clinton e Obama têm sido ríspidos um com outro em seus discursos. As lideranças democratas têm que cuidar para que esse clima não provoque um perigoso racha no partido, que só favoreceria o adversário principal, John McCain, praticamente escolhido candidato do lado republicano. Uma dobradinha Clinton-Obama ou Obama-Clinton eliminaria esse risco.
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