O que têm em comum Brasil, Bangladesh e Islândia? Aparentemente nada. Enquanto Bangladesh é um populoso país asiático, de PIB per capita de US$ 2,05 mil, quase totalmente cercado pela Índia, tendo um pequeno litoral no Golfo de Bengala, a Islândia, com PIB per capita de US$ 36,5 mil, é uma pequena ilha do noroeste europeu banhada pelo Oceano Atlântico e pelo Mar da Noruega. Ao mesmo tempo em que mais de 140 milhões de bengalis quase se amontoam – é o país de maior densidade demográfica do mundo – no seu território, seguidamente atingido por ciclones, inundações e tornados, os pouco mais de 310 mil islandeses se esbaldam na proporção de somente cerca de três habitantes/km2, apesar do sem número de vulcões que emolduram sua paisagem, numa área inclusive superior à de Portugal.
Entrementes pescadores do país nórdico se sobressaem numa economia proporcionalmente abastada, os rurícolas de Bangladesh se esfalfam na insuficiente produção de cereais e criação de gado, deixando grande parte da 8a. maior população do mundo padecer de subnutrição crônica.
Pois, na divulgação do relatório do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) pela Organização das Nações Unidas (Onu), a nação cuja capital é Daca ocupa a 140a. posição no ranking, enquanto que Reykjavik capitaneia o país que ponteia a lista, como melhor país do mundo para se viver, destronando a Noruega, hexacampeã consecutiva no quesito.
Exatamente no meio do caminho – 70o. lugar entre os 177 países pesquisados -, está o “gigante deitado em berço esplêndido”, o Brasil, com quase 190 milhões de habitantes, um PIB per capita de US$ 8,40 mil, que alardeiam aos quatro ventos ter sido alçado ao grupo dos países com “alto desenvolvimento humano”, pela primeira vez.
Em 1974, o economista Edmar Bacha cunhou a expressão Belíndia para definir a distribuição de renda nacional, onde padrões de vida e renda da rica Bélgica conviviam com imensa parcela da população onde imperava a miséria e o lúmpem hindus. Pois o atual IDH – com números de 2005, ainda - nos traz outra realidade, escancarada nas ruas. Apesar de termos evoluído, nos parâmetros comparativos que consideram, entre outras variáveis, riqueza, alfabetização, educação, expectativa de vida e natalidade, é evidente que temos muito que avançar em inúmeros setores. Saúde, educação, segurança, infra-estrutura, tudo com caminhos imensos a percorrer em recursos e ações.
Por mais que possamos dar alvíssaras ao atual relatório, precisamos evoluir substancialmente em qualidade de vida para chegarmos próximos dos cidadãos de países – só para citar América Latina e Caribe - como México, Cuba, Costa Rica, Uruguai, Chile e Argentina, que segundo a Onu, estão em situação bem melhor que nós, brasileiros.
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(*) jornalista, funcionário público, diretor da Associação Riograndense de Imprensa e da Fundação Anfip de Estudos da Seguridade Social, e-mail:vilsonromero@yahoo.com.